"Amarras"


Performance, RECOTADA, 26.03.2010.

Lilith Rubim
Juliana Charnaud
Ágata Paim

Amarras
Um corpo moldado
dominado
pornográfico
dominante
do massacre ao prazer
bem vindos à sociedade
de controle (de corpos)



Texto: Eliane Rubim
Fotos: Bianca Dornelles


















Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito

Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

Foto: Marcelo.Rota

RECOTADA




O presente trabalho, que nomeio “Tempo Fragmentado”, trata de uma Assemblage que ocupa um canto da parede do prédio da antiga Fábrica de Massas, Cotada, durante a exposição RECOTADA.

A idéia é relatar fragmentos de um tempo que julgava perdido. 4 horas diárias em um trabalho, uma função robótica que alimenta apenas o corpo e não a mente ao meu ponto de vista. Restou-me abstrair dessa monotonia desenhando e principalmente anotando sensações, sentimentos esparsos e ações premeditadas. Reparei nos olhos das pessoas que por ali passavam, no que elas escondiam e através deles o que mostravam.

Tempo Fragmentado, este, que durou 12 meses aproximadamente.


*Assemblage: “...é baseada no princípio que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte criando um novo conjunto, sem que esta perca seu sentido original. É uma junção de elementos em um conjunto maior, onde sempre é possível identificar cada peça. Ao se utilizar diversos materiais como papéis, tecidos e madeira, ultrapassando os limites da superfície.












Além deste encontra-se em exposição uma foto do interior do próprio prédio, ambos no terceiro andar.


"Olhar sobre a antiga fábrica de massas."

2009.




(mais dessa série em Flickr.com/caosnormal)









Exposição ReCotada
Quando: até o dia 1º de abril. Aberta diariamente das 10h às 12h e das 14h às 18h
Onde: prédio da antiga Fábrica Cotada, em frente à praça do Porto de Pelotas
Entrada gratuita


Grupo Fluxus:

"Movimento que marcou as artes das décadas de 1960 e 1970, opondo-se aos valores burgueses, às galerias e ao individualismo. O nome Fluxus, (do latim flux, significa modificação, escoamento, catarse) era, em princípio, o título de uma revista, mas se estendeu posteriormente para designar as performances organizadas por George Maciunas, criador do grupo. Valorizando a criação coletiva, esses artistas integravam diferentes linguagens como música, cinema e dança, se manifestando principalmente através de performances, happenings, instalações, entre outros suportes inovadores para a época. O Fluxus foi criado em 1961, em Wiesbaden, na Alemanha, durante o Festival Internacional de Música, sob a liderança de George Maciunas. Era integrado por artistas de várias partes do mundo, como os alemães Joseph Beuys e Wolf Vostell, o coreano Nam June Paik, o francês Bem Vautier, e japonesa Yoko Ono, além de outros representantes destes países ou dos países nórdicos.

A origem do Fluxus situa-se em torno das aulas de música experimental ministradas por John Cage na New School for Social Research. O músico, na tentativa de criar composições não-narrativas e aleatórias, incorporando ruídos e interferências do meio, inspirou os artistas na tentativa de dialogar com o cotidiano em seus trabalhos. Oficialmente, o grupo foi criado por Maciunas no ano de 1961, em Wiesbaden, na Alemanha, durante o Festival Internacional de Música. A principal referência foi o movimento Dadaísta e a obra de Marcel Duchamp, que influenciaram a contestação dos valores estabelecidos e o espírito anárquico do grupo. No entanto, enquanto Duchamp havia com seus ready-mades, elementos apropriados do cotidiano e sendo-lhes atribuído status de arte, mas posto ao do objeto artístico consagrado, criando um novo conceito de arte , a que chamava anti-arte. Diferentemente , os artistas do Fluxus buscavam inserir a arte no cotidiano das pessoas, defendendo a idéia de que todos deveriam compreendê-la. Nesse sentido, há também uma influência do Construtivismo Russo, na medida em que o grupo refletia sobre sua função social e sobre a participação política dos artistas.

O movimento unia diferentes linguagens às artes plásticas, sendo composto também por cineastas, músicos e atores. Seus integrantes procuravam inovar e ampliar as formas de expressão artísticas, utilizando suportes transitórios e/ou reprodutíveis, como happenings, performances, fotografias e instalações. No Fluxus, os artistas Nam June Paik e Wolf Vostell foram os primeiros a usar o vídeo, criando a videoarte. Nas exposições do grupo, as obras tinham sempre um teor de provocação e crítica, com a presença de um humor extravagante. Como objetivo, seus participantes visavam uma revolução cultural, social e política através da arte. Em 1963, foi escrito um manifesto contendo frases como “destruam os museus de arte” ou “destruam a cultura séria”, entre outras polêmicas.

Com a morte de Maciunas, em 1978, o Fluxus chegou ao fim. No entanto, seus artistas continuaram ativos, mas seguindo caminhos diversos. Em 1983 seus trabalhos e performances puderam ser vistas na XVII Bienal de Arte de São Paulo, quando o grupo teve uma ala dedicada à sua produção e a documentos que registravam sua trajetória."

Fonte: /www.mac.usp.br/mac
Onde flutuam pensamentos delirantes,
deixe que seja eudeixe que me faça ser o que quiserrespirar as cores que
borbulham,que transbordam,O que quiser que sinta,que sinta o que te sente, que
vá embora se quiser,mas se quiser ficar que fique,feche os olhos, tente relaxar,
e sente a popsicodeliaficá,para degustar os gostos e cheiros,o tempo inteiro.



Se eu subir nos teus pés,
não me deixe cair. "infinito", é complexo, meu bem...
prefiro deixar
vivas as borboletas violeta-amarelo, essas, do meu estômago,deixar com que
voem por dentro de mim, tornando meu passo leve,
minhas expectativas mais excitantes,
meus pensamentos tranquilos.

se eu ficar sóbria o tempo todo, acredite,
algo está errado.

se eu falar mil devaneios em um só dia...
não acredite,
é tudo mentira.
na verdade, tudo ao contrário.


será?

não sei...
as vezes eu surto mesmo. que coisa..
mas enquanto meu olho estiver brilhando, e haver confusão, eu estou aqui.
não prometo nada. só quero... tudo em (mais ou menos)
paz.



Foto: jCharnaud
www.flickr.com/caosnormal